Projeto brasileiro começa a redefinir a experiência de navegação em iates de alto padrão
A Inteligência Artificial avança fronteiras e começa a ganhar espaço também no mar. Projeções internacionais indicam que o mercado de IA aplicada à indústria marítima deverá movimentar US$ 4,4 bilhões até 2027 e, de acordo com o relatório AI in the Marine Industry Statistics, a expectativa é de que 75% das embarcações adotem algum tipo de tecnologia de IA até 2030 — refletindo uma mudança estrutural na lógica tecnológica do setor.

Inserido nesse cenário, um projeto brasileiro de Inteligência Artificial embarcada vem explorando novas possibilidades de integração entre sistemas digitais e operação náutica. Desenvolvida pela AI Architect e AI Trainer Amanda Momente, a iniciativa foi aplicada ao iate Atlantis 51 (51 pés), da Azimut Yachts Brasil, em parceria com a Wonder Boat — empresa especializada em tecnologia e integração de hardware náutico, fundada por Lucas Araújo.

O resultado foi a versão exclusiva do Capitão IA, sistema conversacional projetado para atuar como cérebro digital da embarcação, adaptado às necessidades de cada cliente. A colaboração viabilizou a conexão direta entre a arquitetura de Inteligência Artificial e a infraestrutura eletrônica do iate.

Embora embarcações contemporâneas já incorporem sensores sofisticados e sistemas eletrônicos avançados, grande parte dessas tecnologias ainda opera de forma isolada. A proposta do projeto foi justamente reorganizar esse ecossistema técnico, transformando dados, parâmetros operacionais e documentação em uma interface inteligente capaz de apoiar rotinas de navegação e gestão, atuando de forma preditiva e hiperpersonalizada para cada usuário.

“A complexidade técnica de um barco moderno é significativamente maior do que a maioria dos usuários imagina. Sistemas eletrônicos, parâmetros operacionais, rotinas de manutenção e manuais coexistem em múltiplas camadas. A Inteligência Artificial embarcada permite estruturar esse conjunto sob uma lógica cognitiva unificada para administração de um ativo que pode ultrapassar R$ 15 milhões”, explica Amanda Momente.
A nova inteligência dos mares
No projeto implementado no Atlantis 51, o sistema adota uma lógica avançada e personalizada. A IA passa a operar como uma camada cognitiva integrada à rotina operacional da embarcação, apoiando procedimentos de saída e chegada, execução de checklists inteligentes, organização de rotinas de bordo e monitoramento de eventos associados à manutenção preventiva.
O modelo multiagente desenvolvido por Amanda permite um elevado grau de flexibilidade e customização. Na prática, o sistema pode ser moldado de acordo com as características da embarcação e as preferências operacionais do usuário, expandindo suas funções conforme a lógica de uso desejada — com uma base que reúne mais de 300 manuais técnicos e arquitetura estruturada sobre múltiplos LLMs.

“Esse cenário é especialmente comum no setor náutico, onde os barcos possuem muitos sistemas e informações espalhadas — dados eletrônicos, manuais, procedimentos e documentos. Neste contexto, a IA embarcada funciona como um integrador, reunindo tudo em um único ponto, facilitando o uso e a interação, e entregando ao usuário mais tempo para navegar”, observa Amanda.
Reconhecida por atuar na convergência entre IA generativa, engenharia aplicada e design de multiagentes, Amanda Momente ampliou o escopo de suas pesquisas após o desenvolvimento do WonderDataset, o primeiro banco de dados inclusivo da moda brasileira. A transposição dessa abordagem para o setor náutico reforça um movimento mais amplo de aplicação da IA em sistemas físicos complexos.
Do projeto ao endereço: nasce o WonderHUB.AI
A aplicação no Atlantis 51 acontece com o lançamento do WonderHUB.AI, novo espaço da Wonder Boat em Balneário Camboriú (SC) posicionado como a primeira marca náutica AI First do Brasil. A diferença, segundo os fundadores, não é semântica: enquanto empresas tradicionais adotam IA como feature adicional, no WonderHUB a inteligência é projetada junto com o hardware, desde a concepção do sistema.
O espaço funciona como hub de inovação e consolida uma operação que já existe — não inaugura uma. Reúne, em um mesmo endereço, galeria náutica colaborativa, showroom imersivo com realidade virtual e hologramas, laboratório de workshops técnicos, demonstração ao vivo do Capitão IA e um espaço de convivência voltado à comunidade náutica. A proposta é reduzir o déficit entre quem fabrica tecnologia de ponta (Garmin, Simrad, Raymarine e outros) e quem efetivamente navega.

“A Wonder Boat executa no mundo físico há mais de 600 projetos. O WonderHUB é onde essa operação encontra a camada de inteligência. Se a embarcação fosse um corpo, o Hub é o lugar onde criamos o cérebro”, afirma Lucas Araújo, cofundador e responsável pela integração de hardware.
Após sua consolidação em Balneário Camboriú, o Wonder HUB. AI passa a concentrar demonstrações de tecnologias náuticas avançadas, capacitações para profissionais do setor e a operação do Capitão IA 2.0, solução disponibilizada em formato de assinatura com assistentes personalizados para diferentes perfis de embarcação.
“A entrega final de valor para o usuário é a qualidade de dados e agilidade no acesso à informação. No fim das contas, o maior valor está justamente no ganho de tempo e é isso que entrego para as pessoas”, conclui Amanda.
Sobre a Wonder BOAT
Empresa brasileira especializada em soluções tecnológicas para navegação eletrônica, integração de sistemas e segurança a bordo de embarcações de alto padrão AI First. Com sede em Santa Catarina, a empresa atua no desenvolvimento, instalação e manutenção de sistemas eletrônicos náuticos, combinando tecnologia de ponta com consultoria técnica para atender proprietários exigentes, comandantes e tripulações que buscam controle, desempenho e segurança no mar.

