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Uma história de conquistas e muita imaginação.

Oceanco 90M
Oceanco 90M

O yacht designer internacionalmente conhecido e reconhecido Luiz de Basto desde sempre soube muito bem o que queria fazer e não foi surpresa o caminho que trilhou para o sucesso. Lógico para ele, mas não linear, foram muitos motivos que o lançaram de Angola, na África, para um escritório de sucesso em Miami, nos Estados Unidos, construindo yachts de luxo para o mundo todo.

“Minha trajetória profissional não é muito linear, tem um pouco do zig-zag da vida. Certamente não se espera que alguém nascido na África, formado no Brasil acabe desenhando iates de luxo nos Estados Unidos para o mercado global. Entretanto para mim tudo é muito lógico, sempre tive paixão por arquitetura e design de automóveis e encontrei no yacht design a perfeita combinação entre os dois”, conta De Basto.

Luiz de Bastos
Luiz de Bastos

Bom, mas para chegar a Miami, foi necessária uma guerra em seu país natal e uma crise financeira no país onde se formou. “Nasci em Angola e lá passei os anos da infância. Com o início da guerra meus pais se mudaram para o Brasil, onde estudei e me formei em arquitetura pela Universidade Mackenzie. Abri meu escritório em meados dos anos 70 e poucos anos depois comecei a projetar barcos para a Hanseatic. Com a crise Collor em 1990 resolvi mudar para os EUA para tentar o mercado internacional e escolhi Miami, pela principal razão de ser na água e com clima semitropical”.

A partir daí foi uma história de sucesso. A DeBasto Design & Co. possui em seu portfólio projetos construídos ou em construção em 15 países e para 40 estaleiros na Europa, Ásia e Américas. Atualmente, o escritório está organizado em uma estrutura aberta e global. São cinco profissionais em Miami onde os barcos são criados, onde são tomadas todas as decisões e são feitos todos os renderings. Os desenhos CAD são feitos em um escritório em Viareggio, na Itália, e para outras áreas dos projetos há pessoas em diversos países que contribuem, como Estados Unidos, Brasil, Inglaterra. De Basto explica que a realidade de Miami não é a mesma de São Paulo, por exemplo, onde se encontram facilmente pessoas qualificadas para trabalhar. “Aqui não temos pessoal especializado, por isso trabalhamos com pessoas competentes em diversos lugares do mundo e contamos com a internet para nos comunicar”.

O BALANÇO ENTRE A IMAGINAÇÃO E O REALIZÁVEL

Onyx 41
Onyx 41

A criatividade é o grande motivador do designer, mas, e o maior desafio? O próximo projeto, ele responde. A mesma resposta é dada quando perguntamos qual é o projeto preferido. “Todo projeto novo gera uma ansiedade, uma energia, que vem da falta de equilíbrio temporária entre os requisitos e a necessidade de resolvê-los. E resolvê-los com extrema beleza e competência, esse é o desafio. O nosso input é mais solicitado na área criativa, encontrar o balanço entre a imaginação e o realizável, é o que mais me motiva”.

Projeto Intermarine 95
Projeto Intermarine 95

O foco de Luiz De Basto é, primeiro, no que o cliente quer, seja o cliente privado ou estaleiro de produção em série, para resolver os problemas apresentados. Mas ele ressalta que essa é somente a metade da história, a outra metade é criar um design que supere as expectativas do cliente. “Tamanho não é importante, entre uma popa e uma proa sempre existe um barco a ser desenhado. Em algum momento do processo criativo, os requerimentos do cliente estando já absorvidos devem ser momentaneamente esquecidos, e uma contribuição pessoal do designer deve ser incluída. Porque senão ou estaremos fazendo um projeto puramente reflexivo, mecânico, sem graça ou estaremos copiando algo. Para mim a originalidade e adequação ao programa são o meu estilo”.

Quartz 55 metros
Quartz 55 metros

BATE-PAPO COM LUIZ DE BASTO

Entramos um pouco mais no mundo criativo de Luiz De Basto. Veja a entrevista concedida pelo yacht designer com exclusividade à revista Perfil Náutico.

Perfil Náutico – Você tem barco? Qual seu envolvimento pessoal com a área náutica?
Luiz de Basto – No momento não tenho barco, mas já tive vários. Porém, de uma forma ou de outra, estou sempre a bordo, seja de barcos que fiz ou de amigos. Há uns 12 anos meu filho mais novo começou a velejar e ficamos sócios do Coral Reef Yacht Club, um clube bem tradicional em Miami, localizado na Biscayne Bay. Lá temos a oportunidade de sair de barco com amigos.

PN Qual é o perfil do seu cliente privado de barco?

DeBasto – Clientes, normalmente para barcos acima de 80 pés, são pessoas muito bem informadas e bem-sucedidas. Quando me procuram é porque já tiveram outros barcos no passado e agora, mais conhecedores das próprias necessidades, reconhecem que precisam de ajuda especializada para conseguir um resultado não só satisfatório, mas excepcional.

PN Na parte de design de interior, qual é sua maior influência na hora de criar?

DeBasto – O interior de um barco, para ter qualidades estéticas e funcionais, tem que atender uma série de requisitos. O briefing do cliente e o planejamento do espaço baseado na ergonomia são o primeiro passo. Pessoalmente gosto de favorecer espaços abertos e multifuncionais uma vez que o espaço a bordo é sempre limitado. Moderno ou clássico, o importante é desenvolver uma linguagem coerente e original para cada projeto. Definição de materiais, cores e texturas vem a seguir. Claro que o processo não é tão linear, existem muitas tentativas e erros, reuniões com o cliente, etc.

PN E a sua inspiração quando falamos de yacht design?

DeBasto – Depois do briefing do cliente, vem o prazo de entrega. Entre um e outro, um yacht designer tem muitas fontes de inspiração, como a própria história náutica, aviação, automóveis, arquitetura, natureza e ultimamente até o desejo de realizar um design green. Sou bastante influenciado pela natureza, que está no negócio de design há muito mais tempo e já teve muitos erros e acertos que são bastante inspiradores.

PN Quais tendências de design você vê para os barcos de luxo?

DeBasto – A arquitetura moderna chegou ao interior dos barcos com uso de linhas retas, eliminação de molduras, favorecendo planos largos e texturas complexas. Alguns estão obcecados com interiores monocromáticos neutros, outros com efeitos de luz. Pessoalmente procuro trazer um pouco de surpresa e bom humor.

PN Qual é a sua análise sobre o mercado náutico brasileiro?

DeBasto – O mercado cresceu e vai crescer ainda mais, e amadureceu muito nos últimos anos, principalmente no nível de informação dos clientes. Há muito ainda que melhorar em relação ao design, para que seja mais original voltado ao mercado interno onde os modelos importados não passam de modelos sem qualquer conexão com o nosso estilo de vida, climas e marinas, e principalmente no setor de vendas.

PN No Brasil ainda temos poucos especialistas em yacht design, a o que você credita isso?

DeBasto – Creio que o mercado de trabalho ainda é relativamente pequeno e, portanto, no Brasil não há um caminho claro para se chegar ao profissionalismo, sem escolas ou cursos dedicados ao yacht design. Outro fator é que, como na arquitetura, e ao contrário do industrial designer, o processo de maturação de um yacht designer é muito lento. Ninguém coloca nas mãos de um principiante um projeto que envolve altos investimentos e um tempo de construção prolongado, para só depois se receber feedback em relação ao seu relativo sucesso ou não.

De Bastos Designs

luizdebasto.com

Por Rafaella Malucelli

1 Comentário

  1. muito bom fiz o nivelamento e pintura de um projeto dele fittipaldy hoje quero fazer outros mais com a crise tá muito difícil

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