Expedição pioneira de volta ao mundo segue um eixo vertical – do polo Sul ao polo Norte, ligando o Ártico a Antártida
Ártico, agosto de 2026. Quase nove meses se passaram desde que a *Vuelta Vertical* partiu de Castellón, em 15 de novembro de 2025, para empreender uma expedição de volta ao mundo muito peculiar: navegar de sul a norte, cruzar os cinco oceanos, completar a etapa antártica e, em seguida, conectar-se ao Ártico através da Passagem do Noroeste, tudo isso em um único ano de navegação.

Desde então, a expedição, liderada por Pedro Jiménez e Paula Gonzalvo a bordo do *AlegríaMarineros*, deixou para trás o Mediterrâneo, o Atlântico, o Oceano Austral, a região antártica, o Oceano Índico e o Pacífico — percorrendo-o de sul a norte, do Chile ao Alasca.

Agora, alcançou um de seus maiores marcos: a entrada no Ártico. Trata-se de um ambiente totalmente novo, onde o sucesso depende de fatores imprevisíveis, como as condições meteorológicas e a presença de gelo marinho.

Esta quarta etapa, após a travessia do Estreito de Bering e a navegação pelo Mar de Chukchi, levou a equipe ao Mar de Beaufort, ao norte do Círculo Polar Ártico.

Atualmente, a tripulação é composta por sete velejadores: Pedro Jiménez, capitão; Paula Gonzalvo, imediata e responsável pela estratégia e planejamento da rota; David Boquera, Concha Gómez, Juan Sisto, Joseani Octaviani e Juan Pablo Barros.

Há trechos da costa onde a concentração de gelo marinho cria barreiras praticamente intransponíveis para um veleiro. Em outros momentos, o *Alegría Marineros* consegue avançar entre os blocos de gelo por corredores estreitos de águas livres.

No entanto, essas rotas podem desaparecer. Uma mudança no vento pode deslocar e comprimir o gelo, fechando — em questão de horas — uma área que antes parecia navegável.

“Depois de atravessar o Pacífico apenas nós dois a bordo, mal tivemos tempo de celebrar a nossa conquista. Agora, navegamos entre o gelo, e cada dia começa com a mesma pergunta: haverá passagem rumo à Groenlândia?”, explica Paula Gonzalvo.

Os principais desafios desta quarta etapa
Às vezes, o barco fica quase totalmente cercado pelo gelo. Quando isso acontece, um dos tripulantes sobe no mastro para procurar, do alto, uma possível passagem entre os blocos de gelo.

Quando as condições permitem, eles também lançam um drone para identificar possíveis corredores a partir do ar.O objetivo não é navegar *através* do gelo, mas sim encontrar águas livres *entre* o gelo. E eles navegam sem saber se haverá rota disponível no dia seguinte.

O Ártico também impôs uma forma de vigilância que nunca havia sido necessária ao longo das 32.000 milhas anteriores: ficar atentos à presença de ursos.

Os sete tripulantes mantêm turnos de vigilância contínua, não apenas para detectar gelo e monitorar a navegação, mas também para identificar a possível presença de ursos-polares, especialmente quando o barco está parado ou próximo a áreas de gelo e da costa. A vigilância deles, portanto, já não se limita à proa do barco.

Um labirinto de ilhas, estreitos e canais
A Passagem do Noroeste atravessa um labirinto complexo de ilhas, estreitos e canais no Ártico canadense, conectando os oceanos Pacífico e Atlântico. Em um mapa, ela parece um enorme atalho. Na realidade, continua sendo uma das rotas marítimas mais imprevisíveis do planeta.

Sua janela de navegabilidade é curta, varia de uma estação para outra e depende da concentração, espessura e movimento do gelo.

Essa incerteza é uma das razões pelas quais, apesar da redução considerável de distância que pode oferecer em certas rotas, ela nunca se consolidou como uma grande rota de transporte comercial regular comparável aos corredores marítimos tradicionais.

Para a Vuelta Vertical, essa mesma incerteza agora molda cada dia da expedição. A intenção é seguir pelo Ártico canadense, completar a Passagem do Noroeste e, por fim, chegar a Nuuk, na Groenlândia. Mas não há garantia de sucesso.

Se as condições do gelo não permitirem uma rota suficientemente segura, a expedição terá de esperar, parar ou retornar.

Vuelta Vertical em números
Partida: 15 de novembro de 2025 • Castellón, Espanha | Milhas navegadas até o momento: 32.197 | Rota total planejada: aproximadamente 40.000 milhas náuticas | Tripulação atual: 7 pessoas | Objetivo atual: Passagem do Noroeste | Destino da etapa: Nuuk, Groenlândia

