Após sobrevivente encontrada à deriva, especialista reforça importância da comunicação
O recente caso que mobilizou equipes de resgate no litoral norte de São Paulo trouxe um importante alerta para quem utiliza motos aquáticas. Uma mulher foi encontrada com vida após passar cerca de 42 horas à deriva no mar depois de um passeio de moto aquática em Ilhabela. O episódio, que ganhou repercussão nacional, evidenciou os riscos da navegação e a importância de equipamentos capazes de garantir comunicação rápida em situações de emergência.
O tema ganha ainda mais relevância após a publicação da Portaria CPSP/ComOpNav/MB nº 113, de 23 de abril de 2026, da Marinha do Brasil, que estabelece novas regras para a navegação de motos aquáticas e torna obrigatória a manutenção de escuta permanente no Canal 16 (VHF) para embarcações que navegam na Área de Navegação Interior 2.

Segundo a norma, o descumprimento pode resultar em auto de infração, retirada imediata da embarcação da água e, em caso de reincidência em menos de 48 horas, apreensão da moto aquática.
Para a instrutora de Jet e Navegação e embaixadora da Sea-Doo, Ana Paula Paz, a nova regulamentação representa um avanço importante para a segurança náutica. “Quando estamos na água, a comunicação pode ser o fator que determina a rapidez de um resgate ou a solução de uma emergência. Muitas pessoas acreditam que o celular é suficiente, mas nem sempre há cobertura de sinal, além do risco de descarga da bateria ou danos causados pela água. O rádio VHF continua sendo o equipamento mais confiável para comunicação no ambiente marítimo”, afirma.

O Canal 16, frequência internacional de segurança e socorro marítimo (156.800 MHz), é monitorado por embarcações, marinas e autoridades marítimas, permitindo que navegadores solicitem ajuda em situações como pane mecânica, falta de combustível, mudanças repentinas das condições climáticas, colisões ou acidentes.
Caso recente reforça importância da comunicação
O acidente ocorrido em Ilhabela é apontado pela especialista como um exemplo real de como imprevistos podem acontecer mesmo durante passeios recreativos.
“Quando uma embarcação apresenta falha, perde a capacidade de navegação ou quando há qualquer situação inesperada, a possibilidade de pedir ajuda imediatamente reduz o tempo de resposta das equipes de apoio. Quanto mais cedo uma ocorrência é comunicada, maiores são as chances de um resgate rápido e bem-sucedido”, explica Ana Paula.
Ela destaca que, embora o rádio não elimine os riscos inerentes à navegação, ele amplia significativamente a capacidade de resposta diante de uma emergência.
“O rádio permite contato com outras embarcações próximas, marinas, clubes náuticos e órgãos responsáveis pela segurança da navegação. Em muitos casos, quem presta o primeiro auxílio nem é uma equipe de resgate, mas outra embarcação que recebeu o chamado e estava na região”, complementa.

O equipamento correto faz diferença
A portaria estabelece que o equipamento utilizado deve ser um rádio marítimo operando na faixa VHF, com acesso ao Canal 16. Especialistas alertam que rádios de comunicação terrestre, comunicadores recreativos ou equipamentos não homologados não atendem à exigência da Marinha.

Embora a regulamentação permita tanto rádios fixos quanto portáteis, os modelos portáteis, conhecidos como HTs marítimos, costumam ser os mais indicados para motos aquáticas por serem compactos, dispensarem instalação elétrica e poderem ser transportados junto ao piloto.
Entre as características recomendadas estão:
Operação em canais marítimos VHF homologados; Acesso rápido ao Canal 16; Certificação de resistência à água (IPX7 ou IPX8); Capacidade de flutuação em caso de queda na água; Bateria de longa duração; Facilidade de transporte junto ao colete salva-vidas.
“Muitos pilotos investem em equipamentos de segurança como colete e corta-circuito, mas acabam deixando a comunicação em segundo plano. O rádio deve fazer parte da preparação de qualquer saída para a água, principalmente em trajetos mais longos ou em áreas com menor movimentação de embarcações”, orienta.

Atenção também às novas regras de navegação
Além da exigência do rádio VHF, a nova portaria estabelece limites técnicos para a navegação de motos aquáticas.
Entre as principais determinações estão:
Distância mínima de 200 metros da linha de base das praias para proteção dos banhistas; Afastamento máximo de uma milha náutica (1.852 metros) da costa; Navegação permitida apenas com visibilidade superior a 500 jardas; Ventos inferiores a 16 nós (Força 4 na Escala Beaufort);
Ondas inferiores a um metro de altura.
Para a instrutora, as medidas seguem uma tendência observada em diversos destinos náuticos ao redor do mundo, onde a segurança vem ganhando cada vez mais espaço. “O rádio VHF não deve ser visto apenas como uma exigência legal. Ele é uma ferramenta de segurança que pode fazer toda a diferença em situações críticas. Quem navega preparado protege não apenas a própria vida, mas também a de todos que compartilham o ambiente aquático”, conclui.

